Fator de visão do céu

O termo fator de visão de céu – FVC (sky view factor) ou ângulo de obstrução do horizonte (ψs), é um parâmetro adimensional, que quantifica a quantidade de céu visível em um local. Esse parâmetro assume valores entre 0 (zero) e 1 (um). Esse parâmetro indica uma relação geométrica entre a Terra e o céu e que representa a relação entre a área de céu obstruída e a área total da abóbada celeste visível. É mostrado na Figura, a relação existente entre a altura (H) e os espaços entre as edificações(W).

Esquema das relações entre a altura e os aspaçoes entre as edificações

Outra característica do FVC é que quanto mais obstruído é um local no meio urbano (maior obstrução da visão do céu), maior será a dificuldade do ambiente dispersar energia térmica armazenada para a atmosfera. Isso se dá porque a morfologia urbana e a verticalização aumentam a superfície de contato exposta a radiação e, consequentemente, a um aumento de absorção de radiação solar.

Oke (1982) aponta o fator de visão do céu como um dos fatores principais para ocasionar o fenômeno das ilhas de calor. Chapaman, Thornes e Bradley (2002), por exemplo, afirmam que o FVC pode até influenciar entre 5 e 7°C na formação de uma ilha de calor. Ainda, segundo Emmanuel (2005 apud VILELA, 2007), “a temperatura das superfícies está intimamente ligada à geometria do canyon urbano, independentemente da localização em relação ao centro da cidade”. Para Souza et al (2005), existe uma estreita ligação entre o FVC e o aumento do consumo de energia elétrica. Isso por que a redução do FVC gera desconforto, seja pelo excesso de sombreamento (necessidade de iluminação artificial), ou pelo calor armazenado (necessidade de refrigeração), o que, consequentemente, ocasiona aumento no consumo de eletricidade para amenizar o desconforto.

Assim, percebe-se a importância da relação entre o FVC e o planejamento urbano. Por isso, planejadores e arquitetos, devem estar atentos principalmente onde existe a valorização do solo urbano e o poder público é pressionado pelo mercado imobiliário a permitir construções de grande altura e pequenos afastamentos.

Referências

CHAPMAN L.; THORNES J.E.; BRADLEY A.V; Derteminatiom of canyon geometry for use is surfacal radiatiom budgets 2002.
OKE, T. R. Initial guidance to obtain representative meteorological observations at urban sites. 2004.
SOUZA, L. C. L.; PEDROTTI, F.S.; LEMES, F. T.Consumo de Energia Urbano: Influência do perfil do usuário; da geometria urbana e da temperatura. Maceió, 2005.
VILELA J. A. Variáveis do clima urbano: análise da situação atual e prognósticos para a região do bairro Belvedere III, Belo Horizonte, MG. Dissertação de Mestrado. UFMG. 2007. Disponível em: . Acesso em: 22/10/2008.

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