Clima urbano

Ao incidir sobre a superfície da Terra, a radiação solar interage com os vários elementos que a compõem. Essa relação possibilita, não só a iluminação natural, mas, também o ganho de calor. Nas cidades, essa relação de ganho de calor pode ser potencializada pela transformação do ambiente natural proporcionada pelas construções que alteram a rugosidade, a forma do relevo e a impermeabilização do solo. À medida que a cidade se verticaliza e se adensa, provoca transformações que podem repercutir negativamente no balanço energético, o que consequentemente, pode alterar o clima local.

O surgimento de ilhas de calor, fenomeno compreendido como uma diferença na temperatura de uma área urbana em relação a seu entorno ou a uma área rural e é consequência, dentre diversos fatores, do aumento da rugosidade da superfície e da redução das trocas de calor no meio urbano. Assim, a degradação do ambiente provocada pelo crescimento das cidades as transforma num ambiente mais afetado climaticamente.

A preocupação com a insalubridade das cidades não é recente e a concepção dos urbanistas modernos, está na busca de espaços racionais e abertos, capazes de promover a higiene, a ordenação e a segurança das cidades. Sobre isso, o fator de visão do céu desempenha um importante papel para a iluminação natural, já que as edificações muito próximas dificultam o acesso à luz, além de possíveis problemas de higiene (proliferação de fungos e ácaros), já que a radiação solar tem efeitos biológicos (bactericida). Na Roma antiga, o imperador Ulpiano criou o Heliocaminus, uma lei para regular o ato de edificar, garantindo ao povo o direito ao Sol.

Atualmente, em cidades com alta densidade como Hong Kong, Nova York e Chicago, legislações e leis de zoneamento regulam as relações entre a altura das edificações e a largura das ruas. Assim, uma dessas regulamentações possibilita, por exemplo, o surgimento de blocos tronco-piramidais, com fachadas inclinadas, que podem ser observados na Figura.

Cidade de Hong Kong

O FVC está diretamente ligado ao sombreamento da cidade, e sua relação com o consumo de energia elétrica pode ser observada por dois ângulos diferentes. Um, quando o sombreamento proporcionado por esse entorno diminui consideravelmente a luz natural na unidade, forçando a utilização de iluminação artificial. Outro, quando esse mesmo sombreamento diminui a carga térmica absorvida pela unidade, amenizando seu ganho de calor. Assim, percebe-se a importância da relação entre o FVC e o planejamento urbano. Por isso, planejadores e arquitetos, devem estar atentos principalmente onde existe a valorização do solo urbano e o poder público é pressionado pelo mercado imobiliário a permitir construções de grande altura e pequenos afastamentos.

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