Adequação fisiográfica

ADEQUAÇÃO FISIGRÁFICA NATURAL
Método de McHang


1. introdução

Os aspectos fisiográficos estão relacionado a características de três elementos básicos, vegetação, recursos hídricos e relevo. Aspectos como: aquíferos, lagos e lagoas, rios, cursos d’água, curso de água temporário, nascente, margem de rio, planície, deltas, dunas, estuários, ilhas, lagoas, praias, recifes, relevo, pântano, mangue, vale, bosques florestas entre outros, tem excepcional interesse de preservação e devem se evitados do ponto de vista urbanístico, principalmente no tocante a zoneamento Residencial, Industrial ou Comercial, mas podem ser destinados a preservação ou áreas de recreação e lazer. Alguns recursos naturais podem absorver graus de desenvolvimento como por exemplo: os portos, marinas, e indústrias que utilizam água deve estar em terras ribeirinhas e podem ocupar áreas alagadas. Superfície d’Água, várzeas e pântanos podem ser utilizados para recreação, agricultura e reflorestamento. As áreas de permeabilizadas servem de recarga para os aqüíferos e pode absorver o desenvolvimento de uma forma que não reduzir seriamente a infiltração o ou poluir recursos hídricos subterrâneos. Por fim, tanto encostas íngremes, quando florestas, podem absorver habitação, desde que não seja mais de uma casa por cada três hectares, enquanto as florestas em áreas relativamente planas pode apoiar um desenvolvimento mais denso.

Ian Mchang (1920-2001), nasceu na cidade escocesa de Glasgow, uma cidade portuária e industrial, que enfrentava graves problemas de degradação e problemas ambientais relacionados a poluição. Em uma das passagens relembrando sua infância, o autor lembra que constantemente a cidade era coberta pela fuligem das chaminés das fabricas. Esses fatos fizeram despertar desde cedo a necessidade de preservar as qualidades do ambiente natural, tornando-o um dos pioneiros do movimento ambiental.

A publicação em 1969, do seu livro Design With Nature, (Projetar com a Natureza) ainda sem tradução para o português, é considerada um marco do movimento ecológico. Na Figura 1, vemos a esquerda o autor e a direita vemos a capa da edição comemorativa de sua obra.

a) Ian McHarg e b) capa da edição comemorativa


a) Ian McHarg e b) capa da edição comemorativa

Ao longo de todo o livro Ian McHarg pretendia fornecer uma teoria que integrasse Ecologia e Planejamento, que conciliasse homem e natureza. Um questionamento bastante presente é da a relação: A cidade ou o campo? O ideal raramente é a escolha de um ou de outro, mas sim a combinação de ambos, pôs ambos, são fontes de estímulos e emoções, ambos são essenciais ao homem.

Partindo do pressuposto que o desenvolvimento sustentável deve contemplar características que propiciem a estabilidade ecológica (qualidade do ambiente), econômica (rentabilidade) e social (equidade). Dessa forma a expansão da cidade e a formação de novas áreas urbanas devem ater-se a preservação do ambiente natural e que o desenvolvimento das cidades sem um correto planejamento ambiental costuma resultar em prejuízos significativos para a sociedade, criando condições ambientais inadequadas e propiciando o desenvolvimento de doenças, poluição do ar e sonora, aumento da temperatura, contaminação do solo e da água subterrânea, entre outros problemas. Seguindo esse preceito McHarg desenvolveu sua metodologia, segundo ela é essencial para o planejador compreender o desenvolvimento histórico da cidade como uma sucessão de adaptações refletidas no plano da cidade e nos edifícios que a formam, tanto individualmente como agrupados, assim, não pretende excluir o desenvolvimento e sim distribuí-lo de um modo que minimize a interrupção de processos ecológicos, e consequentemente a geração de impactos ambientais.

Dessa forma, o método analisa os sistemas biofísicos e socioculturais, de um dado lugar, para revelar aonde devem ser estabelecidos os usos específicos do solo de tal maneira que a urbanização deve ser produzida em zonas “intrinsecamente apropriadas”, sem riscos ambientais para a população, como deslizamos, inundações, poluição entre outros. Mas, a obra de McHarg enfatizou a importância do planejamento do uso do solo em função do valor e da potencialidade de uso de cada parte da paisagem, identificadas através de sobreposições de mapas temáticos, representando em cada um uma característica natural, definindo assim o conceito de overlays (camadas).

Em linhas gerais na metodologia a aptidão é expressa nos mapas temáticos através de variações de tons, em que, tons mais escuros representam menor Aptidão, implicada pela presença de constrangimentos ou simples ausência de benefícios. Cada mapa é um componente de avaliação dentro da cada categoria apropriada, representam cinco divisões variando os tons de cor, esses mapas foram construídos em transparências podendo dessa forma ser sobrepostos. Da sobreposição dos mapas resultará um padrão onde as zonas mais claras serão as zonas relativamente mais aptas para a implantação de determinada atividade, incluindo a possibilidade de uso múltiplo. O resultado pretendido não é, deste modo, uma otimização do zoneamento funcional, mas um plano que considera as alternativas e contempla a diversidade e complementaridade dos usos.

As vantagens deste método consistem em: método racional, informação derivada das ciências exatas; seu procedimento com características de reprodutibilidade, assim repetindo o método, quaisquer das pessoas chegarão à mesma conclusão; pode ser relativo, a cada comunidade pode empregar o seu próprio sistema de valores; é um método dedutivo que fornece zonamentos potenciais em relação ao uso do espaço. Por outro lado surgem algumas limitações: carência de informação ou de nem sempre a mesma existir de forma adequada; interpretação subjetiva de um mesmo fator; por fim, potencialmente o método pode induzir a um crescimento horizontal ou um adensamento, muitas vezes indesejável.

Com o surgimento dos Sistemas de Informações Geográficas – SIG (geographic information system), como uma ferramenta capaz de analisar, manipular e armazenar dados espaciais possibilitou que a rotina tradicional fosse implantada em softwares de SIG, em procedimentos conhecidos por álgebra de mapas e operações booleanas, automatizando parte do processo. Esses softwares utilizam uma base de dados, essa base é uma coleção estruturada de gráficos digitais, dados cartográficos que são a representação da realidade, e dados não-gráficos, chamados tabulares, que descrevem atributos do mapa, relacionados espacialmente. De forma resumida o grande diferencial de um software de SIG é sua capacidade de armazenar tanto os atributos descritivos como as geometrias dos diferentes tipos de dados geográficos e associar um banco de dados a um elemento gráfico. Desse modo, os SIG suportam dados de diversas fontes e formatos e permitem que esses dados se integrem. Desse modo a aplicação da metodologia pode facilmente ser tornado público, com o emprego dos Sistemas de Informação Geográfica.


2. Aplicações

Dos vários casos de adequação descritos no livro Design With Nature dois em especial tem ligação como o processo de urbanização o primeiro é o caso do corredor formado pelo vale do rio Maryland (“The Valleys”), em Batimore (EUA), o segundo caso, celebrou metodologia de McHarg consistiu de uma aplicação para o condado de Staten Island em Manhatan, em Nova York (EUA).

a) The Valleys

O caso de “The Valleys” trata-se de um exemplo típico de crescimento suburbano em uma região metropolitana. O problema resumia na possibilidade de aplicar os princípios de planejamento ecológico e colocar-los a prova frente as exigências do crescimento metropolitano e dos mecanismos do mercado Representou urna oportunidade única para demonstrar a possível convergência entre os interesse complementares entre o setor público e o privados. Ambos admitiram a necessidade de conservar as belezas naturais de “The Valleys” para o bem comum. Partindo do determinismo fisiográfico para sugerir p melhor modelo de urbanização. Os tipos de desenvolvimento urbano e as densidades adequadas segundo as diversas características fisiográficas. A área foi avaliada para averiguar as oportunidades e as limitações existentes frente o desenvolvimento urbano

Na figura 2a, está representado o mapa dos aspectos fisiográficos onde o azul representa os aspectos hídricos, o verde representa a vegetação e em preto esta destacada as áreas de declividade acentuada, já na Figura 3b, é representado o mapa de adequação onde os tons próximos a amarelo representam as reais passivas de urbanização.

Figura 2 - Mapa as características Fisiográficas e b - Mapa do “Uso ótimo do solo”. Fonte Batistela apud McHarg, 2000

b) Staten Island

Esse caso consagra a metodologia de McHarg. O estudo trata do problema de avaliar e conhecer as áreas intrinsecamente idôneas, e saber quais dessas áreas eram mais aptas pra receber as zonas para; a proteção do meio ambiente, recreação, comércio e indústria e zonas residenciais. Na verdade a ilha de Manhatan onde fica o condado de Staten Island, oferecia grande diversidade de ambientes naturais para uso de seus habitantes, mas que o crescimento da mancha urbano a evolução dos mesmos tornava evidente a e eliminação desses ambientes. A preocupação em preservar a qualidade para esta região, e propor alternativas para o futuro da ilha. Então para zona de conservação os fatores selecionados foram: características de valor histórico, bosques, várzeas, praias, baias, cursos da água e outras características valiosas do pondo de vista paisagísticos.

Nos mapas feitos por tonalidade de cor, os maiores fatores de restrição maior são representados em tons mais escuros e vão diminuindo sua intensidade para os menores valores.
Através da sobreposição (mapas transparentes) gera-se o mapa de “idoneidade entisica” Nas Figuras 3 pode ser viso três mapas de idoneidades: Conservação, Recreação e Urbanização, respectivamente.

Mapas de idoneidades: Conservação, Recreação e Urbanização, respectivamente. Fonte: McHarg (2000 apud Batistela 2007).

O uso do solo é representado através de cores e tons diferenciados. A cor amarela para conservado, uso recreativo em azul e a urbanização em cinza, a sobreposição dos mapas os transformam em um único mapa, onde outras cores são produzidas. (Figura.4): Desse modo, não é possível localizar áreas com valores primários, mas é possível gerenciar os conflitos e a ampliar as áreas com valores secundários e terciários

Sobreposição dos mapas de idoneidades: Conservação, Recreação e Urbanização, respectivamente. Fonte: McHarg (2000 apud Batistela 2007).

Referências

BATISTELA, T. S. O Zoneamento Ambental e o desafio da construção de Gestão Ambiental Urbana, 2007.
LOPES, N. C. C. A influência das características físicas do território na morfologia urbana contribuição para uma análise da forma urbana no conselho de Lisboa. Dissertação. Outubro 2009.
MCHARG, Ian L. Design with nature. Garden City: Nova York: Natural History Press,1969.

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